OSHO - Corpo e mente em equilibrio
Um místico sufi estava viajando. Toda noite, ele agradecia à existência:
“Você fez tanto por mim e não fui capaz de retribuir, nunca sou capaz de retribuir”. Seus discípulos ficavam um pouco revoltados, porque algumas vezes a vida era extremamente dura.
O místico sufi era um rebelde. Aconteceu de ficarem três dias sem comida porque, em toda aldeia por onde passavam, eram rechaçados por não serem muçulmanos ortodoxos. Tinham se juntado a um grupo rebelde de sufis. As pessoas não lhes davam abrigo para passarem a noite e, por isso, tinham de dormir no deserto. Tinham fome e sede há três dias. Ainda assim na oração vespertina, o místico sempre dizia à existência:
- Estou tão grato. Você nos tem concedido tanto e nós sequer retribuímos.
Um dos discípulos disse:
-Ela não nos dá tanto assim. Diga-nos, por favor, o que a existência nos concedeu nesses últimos três dias. Você está agradecendo à existência pelo que ?
O ancião deu uma risada e disse:
- Você ainda não se deu conta do que a existência nos concedeu. Esses três dias têm sido muito significativos para mim. Estou com fome, sede e não tenho abrigo; fomos rejeitados, condenados. Atiraram pedras em nós e tenho me observado – nenhuma raiva surgiu. Estou agradecendo à existência. Suas dádivas são inestimáveis. Nunca poderei retribuí-las. Três dias de fome, de sede, de falta de sono, com pessoas atirando pedras em nós...e, mesmo assim, não senti animosidade, raiva, ira, falta ou decepção. Só pode ser pela misericórdia e amparo da existência. Esses três dias me revelaram tantas coisas que não teriam sido mostradas se eu tivesse recebido comida, boas-vindas, abrigo e não tivessem atirado pedras em mim – e você me pergunta por que agradeço à existência ? Agradecerei à existência até quando estiver morrendo, porque mesmo na morte sei que a existência está me revelando mistérios que não mostra em vida, pois a morte não é o fim, mas o clímax da vida.
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