sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Um presente !

Um presente   






Se um dia, ao acordar, você encontrasse ao lado da sua cama um lindo pacote
embrulhado com fitas coloridas, o que você iria fazer?

Possivelmente você o abriria, antes mesmo de lavar o rosto, rasgando o
papel, curioso para ver o que havia dentro... Talvez houvesse ali algo de
que você nem gostasse muito... Então você guardaria a caixa, pensando no que fazer com aquele presente aparentemente "inútil"...

Mas no dia seguinte, porém, lá está outra caixa... mais uma vez, você abre
correndo, e dessa vez, porém, há alguma coisa de que você gosta muito.... Uma lembrança de alguém distante, uma roupa que você viu na vitrine, a chave de um carro novo, um casaco para os dias de frio ou simplesmente um ramo de
flores de alguém que se lembrou de você...

E isso acontece todos os dias, mas nós nem percebemos... Todos os dias
quando acordamos, lá está, à nossa frente, uma caixa de presentes enviada
por Deus especialmente para nós: um dia inteirinho para usarmos da melhor
forma possível! Às vezes, ele vem cheio de problemas, coisas que não
conseguimos resolver, tristezas, decepções, lágrimas... Mas outras vezes,
ele vem cheio de surpresas boas, alegrias, vitórias e conquistas...

O mais importante é que, todos os dias, Deus embrulha pra nós, enquanto
dormimos, com todo o carinho, nosso PRESENTE: o dia seguinte...
Ele cerca nosso dia com fitas coloridas, não importa o que esteja por vir...
E a esse dia quando acordamos chamamos PRESENTE...
O momento, agora... O PRESENTE de Deus pra nós!!!

Nem sempre Ele nos manda o que esperamos, o que queremos...
Mas Ele sempre, sempre e sempre, nos manda o melhor, o de que precisamos, muito mais do que merecemos...

Abra seu PRESENTE todos os dias, primeiro agradecendo a quem o mandou, sem se importar com o que vem dentro do "pacote"! Sem dúvida,
Ele não se engana na remessa dos pacotes!
Se não veio hoje o PRESENTE que você esperava, não desista...
Abra o de amanhã com mais carinho, pois a qualquer momento, seu sonho chegará... embrulhadinho pra PRESENTE!

Lembre-se de que DEUS não atende as nossas vontades, mas, sim, as
nossas necessidades... 

Osho - Uma Farmácia para a Alma






(Osho - Uma Farmácia para a alma)

"Você é feliz ?
Você sabe o que é felicidade ?
Ela é de origem hindu, critã ou muçulmana ?
A felicidade é simplesmente a felicidade.
A pessoa feliz, na verdade, não pertence a tempo algum.
O êxtase faz o tempo e o espaço desaparecerem.

A infelicidade pode lhe dar muitas coisas que felicidade não pode.
Ela alimenta sua personalidade, enquanto a felicidade é basicamente
um estado de ausência de personalidade.
Este é o problema, o verdadeiro dilema.

A infelicidade o torna especial.
Quando você está doente, deprimido, infeliz, os amigos vêm visitá-lo e consolá-lo.
Mas quando você está realmente feliz, o mundo se volta contra você.
A pessoa feliz é uma espécie de "afronta" à infelicidade alheia.

E, Naturalmente como o mundo é feito de pessoas infelizes, ninguém é corajoso o
bastante para suportar a humanidade torcendo contra.
É perigoso e arriscado.
Melhor agarrar-se à infelicidade.
Feliz, você é apenas um indivíduo.
Infeliz, você faz parte de uma multidão.

Olhe para sua própria infelicidade e observe que é algo que lhe traz respeito.
As pessoas ficam mais simpáticas e atenciosas, o que é muito estranho.
Se você insistir em ser feliz, vai virar alvo de muita inveja e as pessoas não serão nada amigáveis.
Elas se sentirão enganadas: você possui algo que não está ao alcance delas.
Assim aprendemos um mecanismo sutil:
reprimir a felicidade e expressar a infelicidade transformou-se em nossa segunda natureza."

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Um pouco de poesia !

Canção na plenitude
Lya Luft














Não tenho mais os olhos de menina

nem corpo adolescente, e a pele

translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde havia sedas, sou uma estrutura

agrandada pelos anos e o peso dos fardos

bons ou ruins.

(Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.)


O que te posso dar é mais que tudo

o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir

quando em outros tempos choraria,

busca te agradar

quando antigamente quereria

apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza

e juventude agora: esses dourados anos

me ensinaram a amar melhor, com mais paciência

e não menos ardor, a entender-te

se precisas, a aguardar-te quando vais,

a dar-te regaço de amante e colo de amiga,

e sobretudo força — que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável

cujas marés — mesmo se fogem — retornam,

cujas correntes ocultas não levam destroços

mas o sonho interminável das sereias.



O texto acima foi extraído do livro "Secreta Mirada", Editora Mandarim - São Paulo, 1997, pág. 151.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Filosofia e Educação

Filosofia e Educação





“Fazer filosofia é estar a caminho; as perguntas em filosofia são mais essenciais que as respostas, e cada resposta transforma-se numa nova pergunta. (...) Ela é uma consciência inquieta, insatisfeita com o que possui, mas à procura de uma verdade para a qual se sente talhada” (Huisman e Vergez,1996).



Lendo estas afirmações e o discurso de Morais, é possível compreender qual seria um papel importante da filosofia no âmbito da educação. Como educar é uma ação plurivalente que se inscreve nas quatro grandes vertentes do discurso humano: religiosidade, arte, filosofia e ciência e tecnologia, a filosofia surge como uma ferramenta que possibilita a desfragmentação do ser possibilitando que ele abra todos os seus campos de interesses e possa se tornar um sujeito critico, atuante em uma luta contra a imediateidade.



Para ilustrar esta colocação gostaria de citar uma estória que tem como titulo “História da Rã que não sabia que estava sendo cozida”, nela o autor Oliver Clerc, escritor suíço, descreve o que acontece com uma rã quando ela é colocada em uma panela com água quente e a água é aquecida lentamente. Nessas circunstâncias a Rã não tem consciência e não desperta reação alguma, desta forma ela vai ficando cada vez mais fraca, morrendo aos poucos. Em contrapartida, se essa mesma Rã fosse jogada em uma panela com água a 50 graus, ela teria pulado imediatamente, teria uma reação imediata. Fazendo uma analogia com o que vem acontecendo com nossa sociedade desde a algumas décadas, podemos ver que nós estamos sofrendo uma lenta mudança no modo de viver, para o qual nós nos acostumamos e não nos desperta mais nenhum tipo de ESTRANHEZA (o traço mais constitutivo da condição humana.). Em nome do progresso, da ciência e do lucro são efetuados ataques contínuos às liberdades individuais, à dignidade, à integridade da natureza, à beleza, e à alegria de viver, executados lentamente, mas inexoravelmente com a constante cumplicidade das vítimas, desavisadas, e agora, incapazes de se defender.



É neste contexto que é importante reafirmar o papel da filosofia na realidade educacional tendo a obrigação de fazer o papel desta panela a 50 graus, tornando possível excitar as pessoas, embriagada pela sua rotina e pelo cotidiano, através do acordar de uma mente critica, saltar para a consciência. Em suma: conscientes ou cozidos.



Segundo Morais para se filosofar a educação tem que sair do purismo filosófico e realmente “sujar” as mãos na dura realidade que é hoje as nossas escolas. Temos que saltar como a Rã porque a panela hoje da nossa realidade das escolas e da política educacional já está a uma temperatura insuportável, algo próximo de um incêndio e já se está queimando toda uma cultura, só não se pode deixar queimar a esperança. Lembrando que a consciência da filosofia é uma consciência inquieta, insatisfeita com o que possui, sempre à procura de uma verdade para a qual se sente talhada.





Dando continuidade à analise do discurso filosófico da educação, cabe citar o conceito apresentado por Morais, que ele chamou de “os novos tempos” que questiona até onde os recursos educacionais têm sido usados para auxiliar as gerações de educandos a executarem a ultrapassagem de um apenas “coexistir” para um “conviver”.

Ele coloca o ambiente das escolas como algo frustrante e fruto de um descaso e cinismo de governantes. Prédios feios, maltratados, parecem mais uma delegacia de policia ou outras repartições até menos cuidadas. Diante disto, ele faz uma reflexão sobre as tarefas da filosofia e das ciências humana diante deste cenário dos novos tempos.

Ele conclui que toda forma de conhecimento e toda reflexão filosófica tem que se alimentar da cotidianidade, dessa forma não parece haver problema mais cotidiano do que o da educação e, se a filosofia se legítima na medida em que se alimenta da cotidianidade, não podem os filósofos se negar a “sujar as mãos” no concretamente vivenciado como um problema humano.



Em concordância com Morais, resta suplicar pela ajuda desses pensadores para estimular as pessoas hoje, repetidoras de modelos e formas que são nossos jovens nas escolas, e hoje mais ainda angustiados pela falta de contato humano, contando com os computadores para afastar mais as pessoas, as tornando cada vez mais um simples ícone em um “chat” qualquer.



Para concluir, o filósofo precisa acordar os indivíduos para que não corramos o risco de que no futuro tenhamos somente um exército de “astrônomos” que se encantam com o universo mas só o olham, apenas o apreciam de longe através dos telescópios, e nenhum “astronauta”, aqueles que não se contentam em vê-lo, precisam tocá-lo, senti-lo e atuar. Astronautas autônomos em suas vontades e totalmente conscientes de seu ser verdadeiro e do seu poder de atuar ativamente e transformar o desejável no possível.



"Estar vivo é estar em conflito permanente, produzindo dúvidas, certezas, sempre questionáveis.

Estar vivo é assumir a educação do sonho cotidiano.

Para permanecer vivo, educando a paixão, desejos de vida e de morte, é preciso educar o medo e a coragem.

Medo e coragem em ousar.

Medo e coragem em assumir a solidão de ser diferente.

Medo e coragem em romper com o velho.

Medo e coragem em construir o novo".



Madalena Freire





Referência Bibliográfica



MORAIS, Regis de. Educação Contemporânea: olhares e cenários, Alinea,2003.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A menina e o Passaro encantado - Ruben Alves





A menina e o pássaro encantado




Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.

Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.

Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…

— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…

E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.

Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.

— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.

E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.

Mas chegava a hora da tristeza.

— Tenho de ir — dizia.

— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…

— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.

Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”

Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.

Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…

— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…

A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.

Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…

Até que não aguentou mais.

Abriu a porta da gaiola.

— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…

— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…

E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.

— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…

E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.

— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…

Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!

Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…

E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”

E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.



* * *



Para o adulto que for ler esta história para uma criança:

Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…

Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.

Tudo se enche com a presença de uma ausência.

Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…

Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…

Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.

Esta história, eu não a inventei.

Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.

Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.

É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.

Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.

Claro que são para crianças.

Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…



As mais belas histórias de Rubem Alves

Lisboa, Edições Asa, 2003